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Consumo e Sociedade: um raio-x de duas décadas

Neste ano, o Target Group Index completa 20 anos no Brasil. Em duas décadas, foi possível identificar as características, preferências e hábitos de consumo de milhões de brasileiros e, consequentemente, acompanhar todas as mudanças também. Não é difícil perceber que não somos os mesmos de anos atrás e, com certeza, veremos mais mudanças nos próximos cinco anos do que vimos nas últimas décadas. Olhando para a evolução do Target Group Index no Brasil identificamos alguns pontos no perfil dos consumidores e na própria sociedade que gostaríamos de compartilhar com vocês e que podem nos apontar o que vem por aí.

O consumidor brasileiro: retrato de 20 anos

Vivemos uma época de conscientização, tanto ambiental quanto econômica, onde evitar desperdícios e combater o consumo desenfreado são prioridades. Esse comportamento surgiu em países desenvolvidos e já se mostra forte também no Brasil. Os consumidores brasileiros estão cada vez mais críticos e exigentes. 68% deles esperam que as empresas os ajudem a serem responsáveis com o meio ambiente.

Valorizar experiências e não coisas é outra tendência que devemos ver ainda mais forte num futuro próximo. Nos últimos anos, o número de pessoas que pretendem comprar um carro ou um imóvel diminuiu drasticamente. Em 2003, os que pretendiam comprar um carro novo somavam 36%, enquanto em 2019 representam apenas 19%. Já entre os que pretendem comprar imóveis, em 2001 eram 24% ante 7% em 2019.

Praticidade como aliada do poder de escolha

Está mais do que claro que o consumidor quer ter em mãos o poder de escolha. E a comodidade é um dos quesitos mais buscados na hora de escolher o que comprar. 66% dos respondentes afirmam: “gosto de produtos que facilitem o meu dia a dia”. A Kantar, divisão Worldpanel, monitora o consumo de produtos de consumo massivo e os produtos “práticos” são os que mais cresceram no ranking dos produtos de bens de consumo que aparecem mais vezes nas listas de compras dos consumidores:

Produto Aumento 2009 X 2019
Detergente Líquido Roupas 27%
Empanados 24%
Bolo Pronto 17%
Suco Pronto 16%
Sorvete 16%
Molho Pronto Tomate 16%
Leite Fermentado 15%
Requeijão 14%
Prato Pronto Congelado 12%
Inseticida 12%

Consumidores conectados…

O e-commerce encontra neste novo cenário, oportunidades para se desenvolver impulsionado principalmente por 2 fatores: o aumento da praticidade e da segurança.

Ter o shopping em uma tela seja ela do computador, tablet ou celular continua como uma forte tendência. Enquanto em 2000 apenas 0,93% declararam realizar algum tipo de compra online em um mês, em 2019 o número saltou para 16%.

A categoria Vestuário é a preferida, 26% dos compradores online adquirem produtos nesta categoria. Na sequência aparecem Cosméticos e Produtos de Beleza (20%), Livros (18%) e Telefones ou Acessórios para Celulares (16%).

A internet continua sendo uma grande aliada dos shoppers. Entre os que usam a rede para planejar as compras, em 2014 somavam 14% dos respondentes. Em 2019, já são 37%. Para ajudar na decisão, 47% deste público busca informações entre os influenciadores digitais e 58% por meio de notícias em portais.

E a percepção de segurança nas compras online também melhorou: de 30% em 2013 para 37% em 2019 entre os que acreditam estar seguros ao comprar na web. E isso reflete no meio preferido para efetuar as compras online: o cartão de crédito (63%). Compras com cartão de débito representam 6% e outros como Paypal, PagSeguro somam 31%.

… Bancos conectados

Outra tendência que surge, a dos bancos digitais, já é uma realidade e 2,3% declararam usar exclusivamente esse tipo de serviço e aqui voltamos a falar em praticidade e somamos a ela a desburocratização do serviço.

O sistema bancário se mantém como um forte aliado neste cenário.  Em 2001, 64% declararam possuir serviços bancários e 31% eram portadores de cartão de crédito. Em 2019, os correntistas já somam 76% e os que possuem cartão são 46%.

Um olhar para a sociedade: quem éramos e o que nos tornamos

As pessoas estão vivendo mais e buscando viver melhor. Houve uma mudança na configuração das famílias que, hoje, mostra um aumento no número de casais sem filhos e de casais mais maduros, ao mesmo passo em que também aparecem mais pessoas solteiras e uma queda no número de famílias com filhos. Fatores que impactam na configuração da nossa sociedade, que está se tornando mais velha.

Vemos uma queda na identidade religiosa. Em 2003, 86% declararam que “minha fé é muito importante”, em 2019, são 72%. Já entre os que disseram seguir uma religião, em 2003 somavam 87% e em 2019 são 77%.

O retrato do trabalho no Brasil também mudou. O número de empreendedores e autônomos passou de 19% em 2002 para 26% em 2019. Entre os que se declararam empregados, em 2002 somavam 36% e em 2019 são 27%. Ou seja: aumento da informalidade no trabalho e queda do número de trabalhadores com carteira assinada.

Saúde em alta e novos meios de ir e vir

O brasileiro quer cuidar mais da saúde. Ainda que o número de obesos tenha subido (de 36% em 2007 para 47% em 2019), 65% afirmaram pagar qualquer preço pela saúde. E mais uma vez a tecnologia influencia nessa escolha: a intenção de comprar um smartwatch ou uma pulseira fitness nos próximos meses é uma realidade para 22%, enquanto 8% afirmaram já possuir um desses gadgets.

Nós também vimos mudanças na forma em que as pessoas se locomovem. Um número maior de pessoas está andando a pé, motivado pela busca de uma vida mais saudável. Enquanto em 2001 os respondentes que declararam andar a pé representavam 39%, em 2019 eles já somam 84%. Outros 13% declararam usar serviços de mobilidade por aplicativo pelo menos uma vez na semana.

Tecnologia como aliada

A tecnologia faz parte da vida das pessoas. E os avanços tecnológicos influenciam diretamente a sociedade, independente da época que olharmos. Nesses 20 anos, as mudanças aconteceram de forma mais rápida e intensa e as pessoas sentiram isso, e de uma forma positiva. Para 44%, a qualidade do contato humano melhorou graças à tecnologia, ao mesmo tempo em que uma parcela das pessoas ainda não se sente confortável com ela, e 28% acreditam que os computadores são confusos e que nunca irão se acostumar com eles.

E o que virá pela frente?

O consumidor, ainda mais empoderado e conectado, representa um grande desafio para marcas, meios e plataformas de mídia que precisam manter sua relevância em um mundo que continuará mudando. A reflexão que fica é a necessidade de estarmos sempre atentos às tendências e, sempre que possível, nos anteciparmos a elas, garantindo estratégias de sucesso e bons negócios. Nos preparando assim para os próximos 20 anos.

 

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