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A TV cada vez mais social

A televisão sempre favoreceu a interação social. O hábito de compartilhar os conteúdos assistidos – seja na mesa de jantar, no cafezinho do trabalho ou nas redes sociais – não é exclusividade dessa geração multiconectada. É um hábito humano. Nesse contexto, quanto mais opções de interagir com o meio, melhor.

No Brasil, por exemplo, o fenômeno de acessar a internet enquanto assiste à televisão é um comportamento que vem se consolidando entre os internautas. Segundo o estudo SocialTV, desenvolvido pelo IBOPE Media para compreender os hábitos entre os que consomem conteúdo televisivo em diferentes plataformas, nas principais regiões metropolitanas do país, a quantidade de pessoas que realizam essas duas atividades simultaneamente chega a 16 milhões, número quase duas vezes maior do que os 8,7 milhões registrados na versão anterior do estudo, divulgado em 2012.

Embora a troca de mensagens por meio dos comunicadores seja a principal atividade online destes indivíduos simultâneos, a pesquisa destaca que 38% desses consumidores fazem comentários nas mídias sociais sobre os programas que estão assistindo na TV, um aumento absoluto de 136% em relação a 2012. Considerando a atual penetração de internet no Brasil, é possível identificar o potencial de crescimento desse hábito.

A TV cada vez mais social

De forma geral, o público feminino e os jovens se mostraram mais propensos a realizar atividades simultâneas que envolvam a sociabilização e o entretenimento. Analisando os dados de São Paulo e Rio de Janeiro, concluiu-se que 65% das pessoas que comentam sobre um determinado programa durante sua transmissão são mulheres, e 64% estão na faixa dos 10 a 29 anos de idade.

Neste contexto, as novelas ganham destaque entre os tipos de programas mais comentados. Quase 60% costumam comentar na internet sobre os folhetins que estão assistindo, com forte evidência da participação de mulheres e jovens nas conversas sobre o gênero. Em seguida, os telejornais e filmes/documentários aparecem com um terço das menções, ambos com afinidade com o público AB, mas com faixas etárias diferentes. As pessoas de 40 anos ou mais têm maior participação entre os que comentam os telejornais, enquanto aqueles que possuem de 15 a 19 anos preferem citar os filmes/documentários.

Já os esportes têm seus comentários concentrados em dias de exibição de jogos de futebol. Porém, quando comparados com as novelas e telejornais que têm uma exposição diária na programação, constatamos que apenas 27% dos entrevistados comentam sobre programas esportivos, com maior interação do público masculino.

Um outro dado interessante da pesquisa é a importância da consistência do programa para incentivar a publicação de comentários, sendo que 60% dos que comentam sobre o que estão assistindo, o fazem apenas sobre programas que assistem regularmente.

Programas mais comentados – RJ e SP

A TV cada vez mais social

 

Fonte: Social TV 2014 (Fev’14)

Os fatos engraçados geralmente são os mais comentados – 64% dos paulistas e cariocas acreditam que esse tipo de episódio é o que mais gera repercussão, seguido dos eventos polêmicos (44%) e trágicos (25%). Qualquer que seja o motivo, o interesse principal é opinar e fazer parte.

Dentro do fenômeno SocialTV não medimos apenas a ação de realizar um comentário. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, o estudo aponta que 80% do público que faz comentários enquanto assiste à TV já trocou de canal ou ligou a televisão para ver um programa que foi sugerido ou comentado em uma mensagem que recebeu pela internet.

Essa relação direta entre as mídias sociais e televisão já é realidade. Não por acaso, o IBOPE Media e o Twitter anunciaram uma parceria estratégica recentemente,que a partir do IBOPE Twitter TV Ratings (ITTR) poderá compreender de forma objetiva os impactos dessas interações online na audiência televisiva no Brasil e na América Latina.

Com a velocidade de todos esses acontecimentos, os desafios e oportunidades que se imaginavam no futuro, nunca estiveram tão presentes. Você está preparado?