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Comentaristas Sociais

Como as redes sociais se tornaram um espaço para os torcedores da televisão

A seleção brasileira de futebol encara a Suíça, estádio lotado. No Brasil, 25,7 milhões de pessoas acompanham a partida pela TV, como se estivessem na sede do Mundial. Philippe Coutinho abre o placar e a torcida comemora o gol: uns na Rússia e outros em frente à televisão. Mas na hora de comentar, para muitos, não basta falar com os amigos ao lado: é preciso discutir cada jogada, cada lance, cada momento com o mundo todo – afinal, é também para isso que existem as redes sociais.

Apenas os tweets sobre o jogo contra a Suíça geraram 66,9 milhões de impressões no Twitter – e o pico de conversas durante a transmissão veio com o golaço do meia brasileiro. O esporte mexe com o emocional do público, principalmente quando a experiência é ao vivo, no calor do acontecimento. A torcida quer fazer parte do momento, seja no estádio, seja em qualquer outro lugar. É nesse instante que qualquer um se torna um comentarista na rede – é o que se conhece como Social TV.

 

Você viu aquele lance?

A emoção move o esporte e o engajamento do público com o conteúdo, o que também se constata com os fãs incorporando cada vez mais a experiência da segunda tela a seu dia a dia. Interessados por futebol são um ótimo exemplo disso, eles consomem mais TV (98%) e internet (82%) do que a média da população e são 10% mais propensos a fazer buscas online enquanto assistem TV, como mostrou um levantamento do Target Group Index da Kantar IBOPE Media na América Latina.

 

Os assuntos começam em campo, a TV transmite cada momento e eles se espalham pela rede. A convergência de conteúdo é uma realidade para os aficionados em esporte, mas não se limita a este gênero. Esta relação entre TV e mídias sociais está cada vez mais evidente. Em qualquer momento do dia, basta acessar a internet por alguns instantes para saber o que está acontecendo na novela, no jornal, no reality show ou no documentário. Mas qual será o segredo dessa interação entre TV e internet? O mercado ainda busca respostas, mas o vídeo parece se destacar nesse momento como algo que – como o esporte – tem apelo emocional com o público.

Diversas redes sociais estão se adaptando a essa realidade de integração e buscando desenvolver um novo modelo de programação em vídeo, algo que navegue entre o modelo de TV, o streaming e o serviços de vídeo on-demand.

São apostas em vídeos com conteúdo de duração mais longa, streaming ao vivo de esportes, grandes eventos e cobertura de notícias, como a parceria entre a Confederação Brasileira de Futebol e uma rede social, com a criação de conteúdo exclusivo relacionado a Copa do Mundo, prevendo transmissões ao vivo de treinos e a cobertura de jogos, viagens, entrevistas coletivas e bastidores da Seleção na Rússia.

 

E a publicidade, Arnaldo?

O engajamento nas redes sociais que vem do conteúdo de esportes na TV também tem impacto sobre a publicidade. As propagandas têm conquistado os consumidores e suas postagens, o que desperta o interesse das emissoras, agências e anunciantes em entender o fenômeno do Social TV. Eles reconhecem cada vez mais as oportunidades que os novos formatos de propaganda abrem, de acordo com cada tipo de público.

Os torcedores fanáticos de futebol são um exemplo, 90% deles se lembram de alguma marca ao pensar na modalidade – segundo o Sponsrlink, do IBOPE Repucom. Uma vez que os conteúdos esportivos de TV se desdobram nas redes sociais, os anunciantes têm a possibilidade de criar campanhas que se estendam entre esses dois canais e aumentar o engajamento com seus consumidores.

Como observado no jogo de estreia do Brasil na Copa, a TV tem um papel importante para estimular as emoções de quem não está presente no estádio. E o potencial de interação se expande através da combinação da TV com as redes sociais, quando as conversas sobre o jogo já não estão restritas somente a quem está ao seu lado no sofá e passam a incluir pessoas de todos os cantos do planeta. Quem entende esse jogo, sai na frente. Essa simbiose já é realidade.

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