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Nova mídia, nova plataforma, novo gadget… Nova vida?

Como a absorção de novas tecnologias ao dia a dia das pessoas tem mostrado a inseparabilidade dos ambientes online e off-line nos hábitos de consumo de mídia

Para muitos, o ambiente virtual teria sido criado para ser uma perfeita fuga ao mundo real, totalmente desligado dos problemas e dificuldades do dia a dia, um local perfeito e seguro. Em uma frase do filme “Os Substitutos”: “Viver através dos substitutos, fez com que nosso mundo se tornasse um lugar mais seguro”.

Quem já viu esse filme deve se lembrar que o agente vivido por Bruce Willis enfrenta o desafio de encontrar o individuo que está furando esse mundo virtual perfeito e conseguindo atingir as pessoas no mundo real através de seus androides substitutos no mundo virtual. Essa mesma lógica da inseparabilidade entre os mundos também pode ser vista na famosa trilogia dos irmãos Wachowski, Matrix, que revolucionou os efeitos especiais do cinema.

Com o crescimento da internet e de novas tecnologias voltadas ao ambiente virtual, as previsões mais apocalípticas achavam que o crescimento do meio online significaria o fim do meio off-line.

Essas pessoas também devem se sentir em uma cena de um filme como esses, tendo em vista a evolução vivida nos últimos anos no consumo dos meios. Pois, dia após dia, vemos que o off-line não se contrapõe ao online na vida das pessoas, mas sim, o complementa. Como é possível observar no gráfico abaixo, o consumo dos meios através de diferentes formatos coexiste.
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Fonte: Target Group Index BrY14w2+Y15w1 (Fev13-Fev14)

A escolha da plataforma em geral está relacionada à necessidade, local e tempo de cada usuário, mas o hábito tende a permanecer. Como é possível observar no gráfico abaixo, segundo dados do EasyMedia de Março a Maio de 2014 para a Grande São Paulo, o consumo de rádio web ao longo do dia, por exemplo, é bastante similar ao consumo de rádio tradicional, com picos no período da manhã, ainda que seja proporcionalmente menor. Na faixa entre 9h e 12h, é possível observar um destaque do público masculino no perfil do ouvinte WEB, com 66%; entre os ouvintes FM, os homens representam aproximadamente 43%.

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Fonte: EasyMedia – Março-Maio’14 – Audiência % na Grande São Paulo

Quanto mais tecnologias ou plataformas são incorporadas à rotina, mais flexível se torna o consumo dos meios. Dados recentes do Target Group Index mostram como é diversificado o consumo de rádio online com relação às plataformas usadas. Já as fixas, mais comuns em casa e no trabalho como o desktop (47%) e o laptop (38%) são as mais presentes, mas as plataformas que permitem a mobilidade como um smartphone (28%) ou um tablet (5%) também já são bastante representativas.

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Brasília e Rio de Janeiro se destacam particularmente no uso de desktops, com respectivamente 77% e 75% dos ouvintes de rádio pela internet optando por essa tecnologia. No interior de São Paulo, 67% dos que ouvem rádio online usaram laptops nesse consumo.

O uso de telefonia móvel é destaque para Belo Horizonte, superando inclusive o laptop e o desktop e alcançando 54% de penetração. Ainda entre os que usam telefones celulares para ouvir rádio online, destaque-se que 50% possuem idade entre 12 e 24 anos, percentual bastante superior à mesma faixa entre quem usa laptop (28%) e desktop (29%).

Os jovens têm mostrado grande poder de influência na adoção dessas novas tecnologias (os chamados early adopters); sendo, com frequência, mais confiantes quanto ao seu uso. O percentual de concordância com a frase “Trato de me manter em dia com os avanços tecnológicos” chega a quase 50% entre os mais jovens.
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Fonte: Target Group Index BrY14w2+Y15w1 (Fev13-Fev14)

Ainda assim, é possível observar que num espectro mais amplo, não são somente os jovens midiáticos que consomem conteúdo de forma Tradigital. Na verdade, existe uma parcela significativa dos usuários que estão em faixas etárias mais altas (de 25 a 44 anos), conforme observado por dados da última onda do Target Group Index.

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Isso nos leva a refletir que, apesar de no mundo virtual do filme de Bruce Willis as pessoas terem substitutos muito diferentes de suas realidades, nós vivemos num mundo em que, definitivamente, a vida – não – imita a arte. E, que conforme a tecnologia é absorvida no dia a dia das pessoas, nós temos realidades cada vez mais interconectadas.