Artigos & Papers

O futuro está aqui, bem diante de nós

Há mais de 70 anos, o IBOPE Media acompanha os hábitos dos brasileiros em relação aos meios de comunicação e o cenário nunca foi tão transformador como agora. No início, quando a empresa começou a medir a audiência, o rádio era presença obrigatória em todos os lares, monopolizando a atenção das famílias.

Na década de 50, acompanhamos a chegada da TV ao Brasil. No início, devido ao seu alto custo, o televisor – que era importado – restringia o seu acesso apenas às classes mais abastadas. Isso foi mudando a partir dos anos 60, quando a TV entrou, definitivamente, na vida dos brasileiros. A sua popularidade era tamanha que houve casos em que a audiência chegou a picos de 100 pontos, como no capítulo final da novela Roque Santeiro, em 1986. E a TV continuou reinando, soberana, nos anos 70 e 80.

Nos anos 90, assistimos ao início de uma revolução. Primeiro, tivemos a chegada da TV paga, em 1991 e, em seguida, da internet. No início, assim como aconteceu com o televisor, tanto a TV paga quanto a internet eram privilégio de poucos. Mas, com o passar do tempo, ambas foram se popularizando e, hoje, já estão presentes em grande parte das cidades do país. Com a adesão de smartphones e tablets ao mercado, a internet já pode ser acessada de todos os locais, o que tem mudado, ainda mais, os hábitos dos brasileiros.

O conteúdo televisivo, que antes influenciava a interação social à mesa de jantar, passou a ser discutido também nas redes sociais. Para essa geração multiconectada, acessar a internet enquanto assiste à televisão é um hábito frequente e que vem se intensificando. O estudo Social TV, desenvolvido pelo IBOPE Media, mostra que, nas principais metrópoles brasileiras, pelo menos 16 milhões de pessoas realizam essas duas atividades simultaneamente – número quase duas vezes maior do que os 8,7 milhões registrados na versão anterior da pesquisa, divulgada em 2012.

De forma geral, o público feminino e os jovens se mostram mais propensos a realizar atividades simultâneas que envolvam a sociabilização e o entretenimento. Quando olhamos os dados de São Paulo e do Rio de Janeiro, conclui-se que 65% das pessoas que comentam sobre um determinado programa durante a sua transmissão são mulheres e 64% estão na faixa dos 10 a 29 anos de idade.

Neste contexto, as novelas ganham destaque entre os programas mais comentados – quase 60% costumam comentar na internet sobre os folhetins que estão acompanhando. Em seguida, os telejornais e filmes/documentários aparecem com um terço das menções, principalmente entre o público das classes AB, em diferentes faixas etárias. Já os esportes têm seus comentários concentrados em dias de exibição de jogos de futebol. Em relação aos programas esportivos, cujo publico masculino tem maior interação, 27% comentam sobre estes conteúdos na web.

Além do engajamento dos telespectadores com o conteúdo televisivo nas redes sociais, observamos também que novas formas de consumo estão ganhando espaço. Neste contexto, pelo menos 5% da população afirma ter assistido à televisão pela internet nos últimos 30 dias. Ver os seus programas preferidos em horários diferentes daqueles em que foram exibidos já é uma realidade para 4% da população brasileira. E, destes, mais de 70% gravam pelo aparelho de TV por assinatura, enquanto 13% usam o próprio televisor e 12% utilizam o gravador acoplado ao televisor.

Quem imaginaria, há 20 anos, esse cenário? Assistir à televisão pelo celular era coisa de filme de ficção científica, mas, agora, esse tipo de recepção está se expandindo em toda a América Latina, onde 10% dos que possuem celular, recebem sinal de televisão no aparelho. E, desse total, 40% faz uso desse serviço. No Brasil, 12% dos portadores de celular afirmam ter essa ferramenta e 42% deles efetivamente utilizam.

As novas plataformas estão contribuindo para o consumo dos demais meios. Simultaneidade e convergência são palavras-chave no novo contexto midiático, no qual os meios são consumidos nas mais variadas combinações e formas. O conteúdo, portanto, assumiu o papel de protagonista e os meios são consumidos tanto na forma tradicional quanto na forma digital. Essa composição é intitulada Tradigital, na qual o consumo dos meios de comunicação ocorre de três maneiras: exclusivamente tradicional, apenas digital (online) e tradicional + digital (online).

Neste cenário, o objetivo do IBOPE Media sempre foi aferir a audiência onde quer que ela esteja e, para isso, diversificamos continuamente o nosso trabalho de medição. Já estamos acompanhando a audiência nos smartphones e, ainda este semestre, começaremos a monitorar os conteúdos gravados e assistidos posteriormente. Em breve, vamos estender a medição para outras plataformas, entre elas o PC e tablets. O início desta medição já está prevista para o primeiro semestre de 2015.

Além da audiência nos PCs e tablets, queremos acompanhar o que as pessoas estão comentando nas redes sociais. Por isso, acabamos de fechar uma parceria com o Twitter para acompanhar a repercussão dos conteúdos televisivos no ambiente digital. Um conjunto de soluções será lançado em 2015.

Diante de tantas novidades, podemos afirmar que, o que imaginávamos que ocorreria apenas no futuro já está acontecendo agora, bem diante de nós. Daí a dificuldade de se fazer qualquer prognóstico sobre como será o consumo dos meios. A realidade está muito mais veloz do que nossos modelos preditivos. Como a deslinearidade no consumo de conteúdo vai interferir nos negócios de comunicação? Quais práticas culturais serão incorporadas à rotina? Ainda não sabemos responder. Mas podemos afirmar que, em um contexto onde as barreiras entre on e off são inexistentes e a adesão à novas plataformas é contínua, a forma de consumir conteúdo midiático se transformou e um novo cenário e está se consolidando. Porém, temos uma certeza: seja onde e como for que os latino-americanos estiverem consumindo os meios e seus conteúdos favoritos, nós, do IBOPE Media, estaremos lá acompanhando e registrando seu comportamento.