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Para cada geração, um interesse

Como a programação televisiva acompanha as diferentes fases da vida e reflete as mudanças de preferência dos brasileiros nos últimos anos

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Não existe um lar no mundo que nunca vivenciou a tradicional disputa pelo controle remoto. Cada membro da família tem suas preferências: um não pode perder o resumo das notícias do dia, o outro o desfecho da sua personagem preferida, ou ainda o jogo decisivo do campeonato. Toda a discussão ainda acontece com a criança que não se acalma enquanto seu desenho preferido não estiver passando na TV. A variedade de programação oferecida pelas emissoras garante conteúdos para todos os gostos, e tais preferências ficam bem evidenciadas quando comparamos cada geração.

É de se esperar que, quanto mais jovem, maior o interesse por programas infantis. Para as crianças, o gênero ocupa a terceira posição em audiência e só sai do top 10 entre os adultos com mais de 34 anos. Os brasileiros de 4 a 11 anos são os que passam mais tempo assistindo esses programas, com uma média de 49min51seg no primeiro semestre de 2014. Neste ano, porém, os filmes ultrapassam o gênero infantil no ranking de tempo desta faixa etária – fato inédito nos últimos cinco anos – mas ele ainda permanece na lista dos três gêneros com maiores audiências, junto com novelas e minisséries.

Outro gênero que teve uma mudança significativa entre os pequeninos foi o humorístico. No primeiro semestre de 2009, ocupava a 13ª posição em tempo dedicado e, em 2014, se estabeleceu em 6ª lugar. O futebol demonstrou resultados similares, já que em 2009 era o 7º programa com maior tempo médio assistido entre as crianças, com 32min07seg. Em 2013 passou para a 3º e, em 2014, ocupou a 4ª posição, com 45min16seg.

Analisando o histórico dos gêneros nos últimos anos, observa-se que a adolescência é o momento no qual alguns programas se evidenciam ainda mais. Assim como entre as crianças, os programas infantis foram ultrapassados pelos filmes em 2014 e passaram a liderar o ranking de tempo médio. Entre o target de 12 a 17 anos, nota-se ainda mais fortemente o crescimento do humorístico – entre todas as faixas etárias é nesta que o gênero tem o maior tempo médio, com 41min55seg.

Ao longo da vida, o telespectador vai se identificando mais ou menos com os diferentes gêneros. O futebol, por exemplo, está na lista das cinco maiores audiências. A paixão nacional tem presença garantida em quase todas as faixas etárias, mas sua relevância aumenta com a idade do telespectador. Entre os brasileiros de 18 a 24 anos, o gênero aumentou seu tempo médio no ano passado e, nos primeiros seis meses de 2014, se consolidou como a programação com o maior tempo médio da faixa etária. Foi a primeira vez em cinco anos que os programas infantis ocuparam outra posição nesse ranking, muito provavelmente pela atenção que a Copa do Mundo despertou entre esses jovens adultos.

Quando estes adultos se tornam mais maduros, na faixa de 35 a 49 anos, alguns gêneros como rural, educativo e minissérie passam a apresentar uma audiência acima da média. Especificamente nas minisséries, nota-se um tempo médio mais alto neste target em relação às outras faixas, com 29min12seg. As minisséries, na verdade, se destacaram em audiência no primeiro semestre de 2014. Nos últimos anos, o gênero marcou presença no top 3 e alcançou a primeira posição também em 2009 e 2011. Mesmo agradando a todos, os telespectadores de minisséries tendem a reunir mais o público feminino, com grande concentração entre os jovens e adultos.

Outra evolução de interesse na programação também foi observada entre os mais experientes, especificamente, em programas de saúde – que ganha destaque à medida que o telespectador fica mais maduro. Entre as crianças e adolescentes este tema está afastado do topo de audiência. Ele começa a ter mais expressividade entre os adultos, para finalmente ocupar o quarto lugar entre os mais seniors. No perfil dessa audiência, os telespectadores de 50 anos ou mais representam 28%. Os programas de auditório também ganham posições entre as faixas etárias mais maduras, ainda que em menor escala do que os de saúde.

Pequenos fatores no dia a dia podem influenciar a escolha do brasileiro quando ele pega o controle remoto. Uma conversa no cafezinho, um novo emprego, as redes sociais, a presença de uma nova criança no lar. Entretanto, mudanças significativas de hábito ao longo do tempo e, principalmente, grandes acontecimentos nas mais diversas esferas (política, esporte, entretenimento) são variáveis que podem alterar a preferência do telespectador de forma mais profunda. Ficar atento a tais mudanças é essencial para obter um direcionamento assertivo da programação e da publicidade nela inserida.

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